Não “gourmetizem” a simplicidade!

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Ser simples está “na moda” e vejo isso por dois ângulos: o primeiro, positivo, pelo fato da mensagem de uma vida com o essencial estar sendo mais propagada, por gerar reflexão nas pessoas em relação ao consumo, ainda mais no momento de redução de gastos “forçada” em que nos encontramos (já falei sobre isso aqui); o segundo, negativo, por estar sendo propagada também uma certa “gourmetização” da simplicidade, uma complicação, uma burocratização de algo que não era pra ser assim.

Simples é tudo o que descomplica. Ponto final. A gente pode simplificar nossa vida de mil maneiras e da forma que acharmos necessária: no trabalho, no estilo de se vestir, na decoração da sua casa, no nosso modo de lidar com nossos problemas, na organização da rotina, no desenvolvimento de projetos pessoais… Enfim, a gente pode e deve descomplicar nossa rotina pra ter uma vida mais leve. O propósito de uma vida mais simples é fazer com que a gente tenha conosco apenas aquilo que é importante pra gente, e isso é algo pessoal: o que é importante pra mim não é importante pra você e vice-versa. O ponto então é compreender a essência minimalista e aplicá-la no nosso dia a dia de acordo com a nossa realidade.

Além da gourmetização da simplicidade, e de demais áreas da vida, um outro ponto que me deixa chateada é gourmetização da espiritualidade. Estamos em um momento bastante importante cosmicamente falando,  momento de transições, de grandes mudanças, onde várias pessoas estão se conectando com seu lado espiritual. O problema é que eu, por exemplo, fui dar uma pesquisada pra fazer um retiro espiritual com um guru que admiro muito e, quase caí da cadeira quando vi o preço. Por mais que eu leia muito, pesquise, sinta, aprenda na minha vivência cotidiana, tenho vontade de participar de uma experiência diferente como essa, mas isso se torna absolutamente inviável: R$3.000,00 para um final de semana de retiro? Não dá.

Então, como falei lá no começo desse post: assimile o que for legal, faça o que estiver ao seu alcance, mas não se atenha às regras.Quanto mais simples, melhor.

Links interessantes da semana #20

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1- A sustentabilidade além do minimalismo – no blog da Camile

 

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2- Sete passo para uma vida mais equilibrada – no Nowmastê

 

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3- Por que fazer produtos de limpeza é uma boa? – no Panelas de Capim

 

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4- Confia na vida – no Desassossegada

 

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5- Conheça pessoas como você que optaram por viver fora do sistema – no Viver fora do Sistema

 

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6- Pare de reclamar! – no Nada de Compras

 

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7- Descubra por que os alunos nas escolas e os funcionários nas empresas não estão nem aí – no Linkedin

 

 

 

 

 

 

 

Elogie sempre que puder

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Elogiar faz um bem danado e que tem o poder de transformar o dia de uma pessoa. Mas quando a gente fala uma coisa da boca pra fora, a energia empregada (que na verdade nem é muita, nesse caso) não cumpre o seu papel transformador do outro. Se a gente soubesse do poder das nossas palavras, certamente pouparia-as para o que realmente vale a pena e evitaria, ao máximo, espalhar negatividade.

Penso que, muito além do elogiar tanto o físico quando as qualidades intelectuais/emocionais de alguém, a gente precisa aprender a falar mais para o outro(a) sobre o significado dele(a) nas nossas vidas. Algumas pessoas tem mais facilidade do que as outras para falar sobre o que sentem, mas é possível começar com alguém com quem se tem confiança e liberdade, pra que nos sintamos mais confortáveis e para que a conversa não tenha um clima pesado, de obrigação.

Um exemplo: temos amigos com os quais convivemos a vida toda, pelos quais nutrimos sentimentos lindos mas para os quais raramente falamos sobre esse assunto. E se a gente não fala, a pessoa não sabe, não é mesmo? Pois bem. Basta que a pessoa morra pra que chovam elogios no perfil do facebook dela. Aí todo mundo posta foto, todo mundo elogia, diz que a pessoa foi especial, importante e tudo mais. Mas a pessoa que morreu não vai saber disso, pois não vai acessar o facebook pra ler as homenagens. Então, por quê a gente não elogia sempre que possível? Por quê não abrimos o coração para as pessoas que a gente gosta e dizemos pra elas o quão importantes são pra gente?

No começo vai parecer difícil, vai parecer estranho, mas depois a coisa vai ficando mais natural. Uma das coisas que aprendi nessa jornada de autoconhecimento é que o melhor momento é sempre o AGORA, afinal, é só o agora que a gente tem pra fazer ou falar o que quer que a gente deseje. Então, abra o coração. Se você não se sentir à vontade falando pessoalmente, mande uma mensagem, um cartão, carta, flores…Nossas palavras – escritas ou faladas – são nossos maiores “super-poderes”.

Nós possuímos ou somos possuídos?

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Quando paramos para pensar sobre como lidamos com as nossas coisas, começamos a perceber que muitas delas nos possuem. Como assim? Vou explicar: sempre que penso sobre isso me lembro de uma história que me contaram de uma mulher que tinha um sofá em casa e que ninguém podia sentar nele pra não sujá-lo. E isso não faz sentido algum, né? Você não poder usufruir de um objeto para não deteriorá-lo te faz escravo dele, uma vez que a sua finalidade é a de ser útil pra gente!

Claro que a gente não vai sair por aí descuidando das nossas coisas porque elas custaram tempo da nossa vida ($) e quanto mais cuidado a gente tem, fazendo com que essa coisa dure o máximo possível, mais a gente usa nosso tempo ($) com sabedoria. O caminho do meio é sempre a melhor alternativa: a gente cuida, mas a gente aproveita pra valer.

Algumas pessoas que tiveram uma vida com maiores dificuldades financeiras, que não tiveram a oportunidade de ter o que queriam, por exemplo, são bastante apegadas com suas coisas. Não concordo, mas compreendo, pois fomos criados em uma sociedade onde ter coisas significa que você é bem sucedido e se deu bem na vida. Hoje compreendemos que não é bem assim.

Semana passada precisei comprar um tênis. Acabou que o barato saiu caro e dois tênis que comprei há menos de um ano pra poder revezar nas minhas atividades físicas (e que optei por pagar bem mais barato) estão se desfazendo. O tênis chegou pelo correio e na mesma hora tirei da caixa e coloquei na pé pra usar. Talvez a Bruna de antigamente tivesse deixado para uma “ocasião” melhor que não fosse ir ao supermercado, mas aí eu penso: que outra ocasião melhor do que agora? Certamente que alguns locais/eventos requerem algum tipo de roupa específico, mas agora que basicamente fico em casa, saio pra pedalar, faço alguns trabalhos fotográficos (que não me exigem nenhuma roupa específica além de algo que seja super confortável), não existe momento mais oportuno. E isso vale pra qualquer coisa que a gente tenha.

Precisamos que as nossas coisas sejam coisas, que sejam úteis e que facilitem a nossa vida ao invés de complicá-la. Eu já “briguei” com algumas pessoas por certas coisas e situações que hoje me dá até uma certa vergonha. Rs… Mas como sempre falo: que bom que a gente aprende, que bom que tomamos consciência, que bom que mudamos. E SEMPRE, enquanto estamos respirando aqui nesse planeta, é tempo de mudar.

 

Links interessantes da semana #19

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1- O desapego pragmático – na revista Vida Simples

 

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2- A gente não precisa se falar o tempo todo – no Contente

 

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3- A revolução do nosso tempo é a revolução da consciência – no Yogui.Co

 

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4- Estamos enlouquecendo nossas crianças: estímulos demais, concentração de menos – no Contioutra

 

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5- Tratar com carinho é tocar a alma do outro com respeito – no A mente é maravilhosa

 

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6- H&M sustentável? – n0 no Slow Living

 

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7- O som do silêncio – n’O Caderno

 

Esse trecho do livro “A arte da felicidade”:

“Embora às vezes o sofrimento possa servir para nos fortalecer, para nos tornar fortes, em outras ocasiões seu valor pode estar no funcionamento oposto – no sentido de nos abrandar, de nos tornar mais sensíveis e benévolos. A vulnerabilidade que experimentamos no meio do nosso sofrimento pode nos abrir além de aprofundar nosso vínculo com os outros. O poeta William Wordsworth afirmou uma vez: ‘uma profunda aflição humanizou minha alma'”.

 

O que o minimalismo me ensinou

Desde que comecei a ler mais sobre o minimalismo e assuntos relacionados, minha vida se transformou de uma maneira que não dá pra explicar. Acredito que as pessoas que sempre tiveram contato comigo conseguem ver e entender melhor do que falo: eu mudei demais. E foram tantos aprendizados, tantas descobertas que é preciso partilhar para que mais pessoas também se inspirem a empreender uma viagem para dentro de si mesmas!

Aprendi:

– que não há necessidade de abarrotar nossos
armários de roupas, sapatos e até mesmo comida;

– que comprar não é terapia,nem deve ser uma fuga dos
nossos problemas (afinal, quando a gente encosta a cabeça no travesseiro nossos
“monstros” continuam ali, pra nos atormentar). Comprar pode até nos dar um prazer
momentâneo, mas efêmero;

– que quando nos permitimos realizar um mergulho interior e abandonar nossas máscaras, por mais dolorido que seja, nos libertamos e nossas vidas se tornam mais leves;

– que nos libertando da constante necessidade de aprovação alheia nos tornamos aptos pra ser quem realmente somos, com qualidades e defeitos;

– que precisamos destralhar também as nossas emoções, aceitando-as e integrando-as para que não sigamos a vida carregando culpa, medo, rancor;

– que não existe emoção/sentimento “bom” e “ruim”, mas descobrimos que tudo tem seu lado complementar e que bom e ruim são necessários;

– que enquanto nos vitimizarmos e colocarmos a
culpa dos nossos problemas nos outros jamais seremos capazes de resolvê-los
(precisamos assumir 100% de responsabilidade pela nossa vida)

– que a gente colhe o que planta e que precisamos
tomar consciência de que cada ação/escolha nossa tem um preço a ser pago;

– que todos somos parte da mesma coisa: estamos
interligados uns com os outros e com a natureza;

– que precisamos ver além do EGO: se somos todos um, precisamos desenvolver nosso senso de coletividade, precisamos olhar para cada pessoa com empatia, compreendendo que o que faço ao outro faço a mim mesmo;

– que partilhar é preciso, pois o planeta já dá sinais de que o nosso modelo econômico e extrativista que mais recebe do que dá está nos levando ao caos e a destruição;

– que precisamos compreender a essência do minimalismo e aplicá-la onde quer que desejemos, de acordo com nossa realidade individual;

– que a vida simples nos ensina a valorizar o abstrato, as experiências, as trocas e o contato que fazemos com os outros. E que cada pessoa que cruza nosso caminho tem a nos ensinar exatamente o que precisamos;

– Que nossa vida ganha significado maior quando valorizamos as coisas que realmente importam. Que não há nada de errado em possuir coisas, contanto que elas não possuam, que não nos escravizem nem nos façam sacrificar o que temos de mais precioso para adquiri-las: nosso tempo!

Post do leitor: Gabriela Gnoatto

Postei lá na Fan Page que gostaria muito que quem lê a página participasse também do blog, partilhando a sua experiência nessa mudança de vida rumo à simplicidade. Como somos todos diferentes, o que poderia ser melhor do que cada um contar um pouquinho de como foi adaptar a essência do minimalismo à sua rotina diária? E dividindo nossas experiências espalhamos a mensagem e inspiramos mais pessoas! A Gabriela é uma leitora super querida, que sempre participa das publicações que acontecem lá no Facebook. Vamos ao relato dela?

 

“Fui uma adolescente consumista. Afinal era única filha, neta, sobrinha e não me preocupava com o dinheiro, simplesmente pedia e pronto! Estava na mão.
Roupas, calçados, objetos, e meu quarto mais cheio, mais sufocante. Sempre queria mais, porque não tinha o que vestir, calçar e queria estar sempre na moda, até porque é o esperado na sociedade. 

Eu era pressionada a estar bem vestida, porque isso demonstraria o quanto me valorizava como pessoa, e mesmo sem dinheiro e infeliz, aceitava a situação para ser aceita. No visual, era pressionada a cortar o cabelo, a me maquiar, afinal isso seria a obrigação da mulher. E eu estava cada vez mais infeliz !

Virando para 2014, minha vida começou a mudar. Comecei a ler sobre o minimalismo e a simplicidade voluntária e quanto mais eu lia, mais nascia em mim uma vontade de mudar de vida. Comecei devagar: fiz uma limpa nas minhas roupas e comprei peças mais simples e versáteis, afinal o que adianta um guarda roupas cheio e sem harmonia? Deixei de seguir as “modas” da estação porque não adianta, até porque no ano seguinte uma nova enxurrada de informações ditaria a tendência do ano. No visual isso foi mais libertador: de cabelos repicados e cheios de química com a intenção de agradar, hoje tenho um longo cabelo castanho natural que me enche de felicidade.

Na questão emocional também promovi uma reforma interna, me livrando de mágoas desnecessárias, me concentrando em me conhecer mais e me questionando quais são as minhas reais necessidades na vida e hoje vejo o quanto é boa essa vida, onde não precisamos de 80% daquilo que imaginamos.

Se hoje digo que encontrei paz, é porque hoje não vivo com ansiedade em “ter” mas o que importa hoje é “ser” porque é isso que levaremos dessa vida. Hoje vivo sem me preocupar em tendências de moda e consumo e hoje só quero é momentos felizes, e felicidade hoje na minha concepção não se resume apenas em shoppings, baladas e bares, mas hoje uma simples caneca de café e um bom livro me aquecem o coração e me fazem sentir mais viva que nunca!”

Gabriela Gnoatto. 24 anos. Porto Alegre

 

Amei o relato da Gabriela. É tão fantástico ver que cada vez mais pessoas estão empenhadas em mergulhar em si mesmas, se conhecer e ver que não precisam de tudo o que é pregado por aí. Que assim como ela, mais e mais pessoas tenham a oportunidade de se conhecer, de se descobrir e de valorizar as coisas que realmente importam!

Se você quiser participar  envie um e-mail para: umavidamaissimples@gmail.com contando a sua experiência no caminho rumo à uma vida mais simples e com mais propósito.