Coluna da Maiara: Olhe para os lados!

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Outro dia eu estava novamente passeando no parque sozinha e fui dar uma voltinha na roda gigante que colocaram lá por causa de uma campanha do Outubro Rosa. Havia uma fila gigantesca e um dos instrutores perguntou se alguma pessoa sozinha poderia completar um dos carrinhos. Como todo mundo estava em grupos, eu logo me manifestei.

Fui colocada em um carrinho com duas crianças e uma senhora, que acabou ficando com medo e desistiu do passeio. Sozinha com os dois garotos, que tinham por volta de 12, 13 anos, comecei a tirar umas fotos da paisagem, alheia a eles, até que um deles me chamou e disse “tia, tira uma foto minha?”.

Naquele momento eu me senti envergonhada, eu já tinha olhado para eles, mas não os enxerguei, não me importei em saber quem eram ou criar o mínimo de contato que fosse. Falei que ele poderia fazer a pose, tirei a foto e mostrei pra ele. O menino deu um sorriso tão grande que me fez sorrir também. Ele me agradeceu demais e perguntou se eu podia postar a foto no Facebook, eu afirmei que sim, embora no fim das contas a gente não tenha trocado contatos. Perguntei para o outro garoto se ele também gostaria de tirar uma foto, mas ele recusou.

Conversando com eles, descobri que os dois moram num abrigo e estavam numa excursão pelo parque naquele dia. Eles estavam felizes pelo passeio na roda gigante ser gratuito, porque senão não poderiam pagar, como no caso da bicicleta que foram procurar e não puderam andar. Eles falaram: “tia, nóis não tem dinheiro, mas queremos se divertir também”. Aquilo partiu meu coração e ao mesmo tempo me fez sentir grata, por estar ali, por ter me dado conta a tempo de que havia duas pessoas comigo, eu não estava sozinha, por compartilhar alguns minutinhos com eles.

O que eu quero dizer com tudo isso é que às vezes a gente não se permite conhecer as pessoas que estão ao nosso lado, seja no transporte público, na fila do banco, no caixa do supermercado. Sei que a correria cotidiana nos faz trabalhar no “piloto automático” muitas vezes, eu mesma não sou a pessoa mais empolgada para começar assuntos com desconhecidos e nem estou dizendo que você precisa ser. Mas, de vez em quando, nós podemos pelo menos tentar olhar mais ao nosso redor, tirar as mãos e os olhos da tecnologia que nos rodeia, enxergar e perceber as pessoas. Se não quiser conversar, não precisa, mas arrisque um “bom dia”, um olhar de sensibilidade, um sorriso. Com certeza a pessoa não será a única beneficiada, assim como eu, você também vai sorrir, com os lábios e com o coração!

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