Coluna do Mario: Estagnação por movimento

Acho incrível a forma como pensamos hoje em dia. Só de eu estar digitando este texto aqui em um computar já nos mostra como nosso pensamento é evoluído. Imagina alguém criar uma coisa dessas. Sem falar no que há por aí em avanços técnico e informacional. É incrível, e mais incrível ainda são os cada vez menores intervalos que se sucedem entre uma nova invenção e outra. Até parece que todo dia descobrem uma coisa nova, na verdade parece ser a cada hora, pois os próprios celulares, os chamados telefones inteligentes, se aperfeiçoam praticamente a cada semana. E nós, que tanto precisamos de todas essas informações e sensação de contato com quase todos os seres humanos no mundo, sentimos a necessidade de acompanhar esse movimento que é cada vez mais veloz.

É interessante essa coisa de movimento, pois, se pararmos pra pensar – isso se tivermos tempo, pois existe muita informação a ser consumida e são renovadas a cada segundo, sendo de grande importância que nos emparelhemos a este movimento para pertencer a uma sociedade que é movimento em aceleração contínua – estamos em uma situação de estagnação por movimento. Estagnação parasitária, já que os avanços nos tornam mais avançados, apenas mais necessitados. À medida em que o progresso especializado e isolado progride de vento em popa, nós nos tornamos elementos de segunda ordem. Pra que originalidade de pensamento, na verdade “porque pensar?”, isso parece simplesmente inútil, pois já existe o movimento que pensa por mim, que possui tudo que preciso para satisfazer minhas necessidades, algumas até mesmo fisiológicas, como quando estamos com fome, ou mesmo com alguma dor. É medíocre a forma como nos encontramos subalternos àquilo que criamos e que mais tendem a nos distanciar no que aproximar.

Paramos no tempo a partir do momento em que nosso movimento perde o significado humano. Pensamento, originalidade, identidade, são palavras que hoje sofrem um processo de ressignificação na cultura popular, já que são associadas não a nós, mas à forma como nos apresentamos através de um movimento técnico-informacional, ou seja, nossos pensamentos, originalidade e identidade hoje não passam de uma publicidade ou marketing de nós mesmos. Somos um produto, produzido e constantemente formatado por um movimento isento de valores humanos e sociais.

Talvez o ser humano tenha criado sua obra prima, e com isso tenha se isentado de ser humano, para viver apenas como um elemento biótico e estacionário que já atingiu o limiar de sua capacidade, e que partir de agora se resigna a contemplação de um eterno movimento, fruto de sua própria criação.

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