Coluna do Mario: o valor está na incondicionalidade

É muito difícil falar dos substantivos abstratos, como amor, felicidade, amizade, tristeza. Muitos já tentaram falar sobre isso, e muitas coisas interessantes disseram, como os grandes filósofos Platão, Aristóteles, Nietzsche e muitos outros. Eu não possuo fundamento teórico nem capacidade de falar sobre nenhuma dessas palavras, ou sentimento, ou qualquer outra coisa que possam ser. Contudo, ultimamente e devido a algumas questões e acontecimentos, tenho sentido muito a vontade de compartilhar algumas coisas que aprendi com os amigos que tenho.

O fato de sabermos que a amizade não pertence exclusivamente a algum grupo, classe ou raça específica, nos permite ao menos saber que ela não é um privilégio e nem uma exclusividade, mas sim uma característica de nossa condição humana. O que digo é que qualquer um pode ter um amigo de verdade hoje em dia, pelo simples fato de isso não custar nenhum dinheiro, não depender de certa religião, nem de sexo e nem de raça. Apesar disso, podemos falar sobre como existem, atualmente, algumas ideias distorcidas sobre a amizade, ou melhor, sobre o contato.

A ideia de usar a palavra contato para descrever uma relação de amizade constrói um preconceito, pois estabelecemos uma relação de causalidade para que exista amizade, ou seja, a amizade depende de algum interesse que não a própria amizade. O contato faz parte de uma onda de necessidade de promoção que é muito recente, tem relação com redes sociais, tem relação com a construção de certa imagem, com a aquisição de algum benefício e também apenas por uma fama, num sentido negativo, claro. Nesse sentido, o contato estabelece um tempo determinado para o vínculo que estabelece, já que ele é usado. Quando aquele que buscou o contato do outro consegue se promover, automaticamente o contato usado é esquecido por não ter mais uso. A amizade não se permite o uso. A amizade só promove ela mesma, seu valor está em ser amizade e nada mais. Em uma palavra, a amizade só pode ser boa se ela proporciona uma relação de amizade, nada além disso.

Cada pessoa pode dizer que pra existir uma amizade precisa haver, acima de tudo, uma relação de ajuda, ou uma relação de sorrisos e tristezas, de características comuns, ou mesmo de saudade na ausência. Com os amigos que tenho, percebi que amizade tem um pouco de ajuda, um auxílio, uma conversa, vários sorrisos, lágrimas, desejos e muita saudade. Isso tudo ao mesmo tempo, sem que nenhuma dessas características seja decisiva. Acredito que não exista um ponto forte na amizade que a condicione, exceto ela mesma.

A amizade que fazemos é um pouquinho da nossa história, é um pouquinho de nós que deixamos nos outros pra que sejamos contados e lembrados como uma história, ou uma lenda. Amizade é despertar o interesse de dizer coisas boas e positivas sobre o amigo pelo fato de ele simplesmente ser o que é. Nada do que a amizade proporciona e nada do que a compõe está além da nossa própria condição de humanos. Nada que se constrói materialmente estabelece uma amizade. Tudo o que vivemos com nossos amigos formam marcas que ficam em nossa memória, são sonhos que já se realizaram, mas insistem em ainda serem sonhos.

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