Coluna do Mario: Precisa-se de protagonistas

image

Eu não vou motivar ninguém, não poderia mesmo que quisesse. Meu papel é pensar em coisas diversas, que de alguma forma, permitam uma reflexão. Nada escrito é tão interessante quanto aquilo que é pensado e então
convertido em prática em nossa vida concreta. Porém não vou ser pretensioso a ponto de dizer que só escrevo o que permite tal tipo de
pensamento.

Escrevo porque gosto, porque formalizo e comunico meu
pensamento. Enquanto pensamento, o que penso é incomunicável, mas mesmo
para esse pensamento vago (que ainda não se formalizou) ainda existe uma
forma de expressão, que é a poesia. Precisamos de mais poesia, de mais
formas de expressar que não digam nada em si mesmas, mas que despertem
nossa sensibilidade. Falta emoção na vida, falta desejo, faltam cores.

O
mundo mecânico é um sistema formal que nos cadencia. Nele não possuímos
nossas almas, nosso coração. Falta isso: falta sermos protagonistas do
mundo em que vivemos, saindo da nossa zona de conforto, abrindo mão de
privilégios para que possamos nos tornar paradigmas eternos
. Inclusive,
falta um pouco de loucura, mas claro, no sentido de que loucura é o
anormal, ou seja, aquele que nesse mundo em que vivemos hoje não é o
normal. Precisa-se urgentemente de pessoas loucas para que o mundo possa
ser vivido por inteiro, e não pela fração mesquinha e improdutiva que
sobra.

Queiramos mais música, mais poesia, mais criação,
harmonia, desejos, sonhos, utopias. Falta a beleza do abstrato em nossa
vida, precisamos transpor um pensamento científico cético, pois embora
ele seja o grande símbolo dos avanços da sociedade moderna, temos dados
de que os louros desses avanços são colhidos por uma minoria.

Superar
formas consolidadas de vida é o papel do protagonismo humano, mas é
importante que o mundo supere seus obstáculos em harmonia, pra isso
existem ideias como a de democracia, aquela em que todos possuem em sua
voz e suas práticas o ouro da mudança efetiva.

“Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo o mar de enganos
Ser louco cos demais, que ser sisudo.

GREGÓRIO DE MATOS. “Queixa-se o Poeta Que o Mundo Vai Errado e, Querendo Emendá-lo, o Tem Por Empresa Dificultosa”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s