Dois anos lidando com a ansiedade

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Há exatamente dois anos tive a minha primeira crise de
síndrome do pânico. Quer dizer, a primeira que eu soube o que era, porque
depois, analisando melhor, a minha primeira crise mesmo foi na cadeira do
dentista. Eu tinha um compromisso e estava ansiosa, então, meu coração começou
a acelerar e avisei ele que eu estava passando mal… Então, ele abaixou a
cadeira, ligou um ventilador e esperou que eu melhorasse porque minha pulsação
estava altíssima, parecia que meu coração iria explodir no peito! Inclusive ele
pensou que na hora de me anestesiar, tivesse injetado adrenalina na minha
corrente sanguínea, pois as reações eram parecidas. Foi a primeira visita da
ansiedade na minha vida.

Lembro como se fosse ontem que eu estava indo pra uma festa
tradicional aqui da minha cidade e, chegando ao recinto da festa, abaixei pra
arrumar meu sapato e quando me levantei na hora senti o coração acelerado,
tontura, um jeito estranho e ruim. Isso acontece quando a gente levanta rápido
demais, mas não. A coisa persistiu. Nunca tinha me sentido assim e fiquei
preocupada de ser algo grave, então, fui para o hospital, fiz um
eletrocardiograma (que não acusou nada) e depois voltei pra casa. Na semana
seguinte a esse acontecimento fiquei com esse jeito “ruim”, preocupadíssima,
pois não sabia o que estava acontecendo e estava com medo de estar com uma
doença grave.

A partir daí a coisa foi piorando. Só quem tem uma crise de
ansiedade sabe que quando ela vem, cada minuto é uma eternidade. Já tive crise
viajando de ônibus sozinha, onde eu só chorava. Sem
dúvidas foi a viagem mais longa da minha vida! Também tive crise na faculdade e
tive que ser levada para o hospital (isso foi alguns dias depois da primeira)
pois achei que estava tendo um infarto… Meu nariz sangrava, achava que ia
morrer ali. Ah, nesses dois anos já tive tantas e tantas crises.

Em 2013, no final do
ano as coisas foram melhorando, parei com a medicação (sertralina) e tudo foi
correndo bem, até julho do ano passado, na mesma época em que a primeira crise
veio. Minha tia faleceu num acidente de carro e isso desestruturou totalmente a
vida da minha família toda, as crises voltaram. Eu tenho que ir para o trabalho
de ônibus e levo cerca de 25 minutos pra chegar, era só eu entrar no ônibus que
já começava a ficar ansiosa, ia me dando aquele jeito ruim e a minha vontade
era de pedir para o motorista para o ônibus pra eu descer e sair correndo.
Desesperador. Voltei a tomar remédios, mas dessa vez um mais leve que demorou mais
ou menos um mês pra fazer efeito. Devido a esse acidente, era eu entrar num
carro e já achava que ia morrer!  Nossa,
como foi duro passar por tudo isso de novo.

Aos poucos, nesse ano, depois de pelo menos 6 meses de uso
do remédio (Ansitec), fui parando aos poucos com ele. Lendo, implementando a
meditação na minha rotina diária, tem sido mais fácil administrar os momentos
em que estou mais ansiosas. As vezes eu acordo ansiosa sem uma razão aparente,
não sei explicar. Tem dias que tá tudo ótimo, tem dias que dá um jeito ruim. E
nessa hora eu tento estar consciente, presente no momento. Se está ruim, preciso
sentir esse jeito ruim pra que ele possa ir embora. Sempre que me pego ansiosa
por alguma razão paro, respiro e penso: “nesse exato momento, aqui e agora, existe
algum problema?” E a resposta é sempre NÃO. A ansiedade é o sofrimento por
antecipação, é quando a nossa mente viaja para o futuro, incerto, e esquece do
agora.

É um exercício diário, especialmente de paciência comigo
mesma, tendo que respeitar meu tempo, meu jeito de ser, e compreendendo que a
mudança é lenta. De tudo o que já passei, hoje me considero vitoriosa. Posso
dizer que renasci. Não consigo me imaginar sendo a pessoa que eu era antes da
crise, pois ela foi o gatilho pra uma mudança interior enorme que todos os dias
acontece na minha vida. E assim, aprendi a viver um dia de cada vez, a
aproveitar o momento e deixar para me preocupar com determinadas coisas quando (e
se) elas acontecerem.

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