Sobre aniversários e presentes

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A nossa sociedade de consumo incutiu na nossa mente que aniversário ou qualquer outra data especial é sinônimo de ter que presentear alguém com um bem palpável. Quem nunca ganhou um presente que não tinha nada a ver ou que deu um presente pra uma pessoa e errou feio, apenas pela “obrigação” de presentear?

No último domingo completei mais uma primavera. 27 anos e não quis absolutamente nada. E o mais engraçado é que as pessoas não entendem que você não quer nada e insistem em te presentear com algo. Eu entendo o desejo de querer presentear como uma maneira de demonstrar afeto, afinal, fomos condicionados a isso, mas as pessoas não entendem que não é preciso presentear com um bem material, necessariamente. Ganhei alguns presentes (e fico feliz por terem sido poucos, é um sinal de que a minha mensagem está conseguindo ser recebida! Rs…) mas foi engraçado com a minha mãe: saímos pra almoçar num restaurante vegetariano que amo de paixão e ela se prontificou a pagar. Pronto, já fui presenteada. Mas não, ela ainda foi em uma loja comprar um sapato pra ela e insistiu pra que eu pegasse uma sandália, ainda que eu tivesse dito que eu tinha acabado de comprar uma. Me fez experimentar, queria que meu irmão escolhesse, mas consegui fazer com que ela entendesse que não havia necessidade alguma de me presentear quando ela já tinha disposto do dinheiro pra me levar pra almoçar. Presente não tem que ser necessariamente um objeto.

Meu namorado insistiu pra me presentear com algo, e, como um All Star branco era algo que queria há tempos e por ele ser o único calçado que minha palmilha ortopédica encaixa perfeitamente, aceitei. Recebi muitas mensagens, alguns cartões… Fico feliz pois esse foi mesmo um aniversário minimalista em diversos aspectos… Passei metade do dia pedalando, mais um pouco dormindo… Saí pra tomar sorvete e adivinha? Cheguei em casa e tinha bolo! Rs… Cantamos parabéns e só. Acho que foi o aniversario mais desligado de toda a minha existência. Em todos os anos eu sempre ficava meio que na expectativa e esse ano senti que nem parecia ser meu aniversário (a gente tem a mania de achar que esse dia é o mais importante do mundo, né?)

Li algumas matérias incríveis falando sobre o dia das crianças, sobre presentear com experiências ao invés de brinquedos, por exemplo. É isso o que eu penso: dar um cartão, partilhar um café ou um sorvete, um chocolate, um abraço, um pequeno gesto gentil, uma ajuda… Isso sim é um grande presente. E é claro, estar presente, SER presente. Num mundo ultra conectado onde as pessoas tem dado mais atenção pra um quadradinho luminoso nas mãos do que para a pessoa que tá do nosso lado, presença real é o melhor de todos os presentes!

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