Precisamos sentir

image

Fomos criados para ser fortes. Desde pequenos nossos pais, que aprenderam com os pais deles, nos ensinaram que a vida é dura e que a gente não pode “deixar a peteca cair”. Se a gente chorava eles já vinham com um “engole o choro”, “homem não chora”. Meus pais foram criados com dificuldades grandes, com pouco dinheiro e desde muito novos tiveram que ser fortes, trabalhar, não tinham tempo para “frescuras” e não recrimino essa atitude deles, pois eles foram criados assim, essa foi a referência que eles tiveram com os meus avós.

Não fomos ensinados a sentir, sentir qualquer que fosse o sentimento: raiva, medo, dor, tristeza, ciúme, alegria, amor. Por isso a gente não sabia como lidar quando sentia ciúme do irmão ou do colega da escola que tinha uma coisa que a gente não tinha. A gente só sabia que isso era “errado”, pois os sentimentos “ruins” sempre foram considerados “errados”. E assim seguimos ignorando esses sentimentos, colocando a “sujeira debaixo do tapete”, engolindo quietos aquelas sensações.

Porém, à medida que vamos crescendo, começamos a reparar uma certa repetição de alguns sentimentos. A situação se repete de diversas maneiras, mudando apenas de personagens e, como não aprendemos, seguimos reprimindo esses sentimentos, achando que é errado sentir tal coisa mas não nos permitimos uma investigação mais profunda sobre o por quê de nos sentirmos assim. Só que chega uma hora em que não dá mais pra ignorar: esses sentimentos desabam sobre nós de tal maneira que se torna inevitável o “enfrentamento”.

Nesse momento nos sentimos completamente perdidos, sem saber o que fazer nem como agir, mas se nos permitirmos sentir o que quer que o momento exija, vamos aprendendo que não é “errado” se sentir com raiva, com medo, com ciúmes, com inveja. Errado é não querer entender o porquê desse sentimento, o que faz com que nos sintamos assim. E isso merece uma investigação profunda e a meditação, o esvaziamento da nossa mente e a desaceleração dos pensamentos é fundamental, pois permite que alguns insights esclarecedores venham à tona.

Tenho tido muitas reflexões ultimamente e o que me veio à tona é a palavra “carência”. Sempre fui muito carente e, mesmo tendo recebido carinho da minha família e amigos, esse sentimento me acompanhou em diversos momentos da vida fazendo com que outros sentimentos relacionados também se manifestassem: medo, insegurança, ciúme, inveja, dúvida. Hoje, porém, não acho que esses sentimentos sejam ruins ou errados. Como tudo tem sempre dois lados, dois pólos, eles são parte de todos nós, e, assim como os sentimentos bons são sentidos, os ruins também precisam ser, justamente por serem complementos e por nos ajudarem a entender e aprender mais sobre nós mesmos.

Portanto, SINTA. Acolha o sentimento sem julgamentos, sem pensar no que os outros pensarão sobre você. Mas atente-se para não agir movido por qualquer que seja o seu sentimento. Através desse acolhimento a gente vai se aprimorando, se conhecendo e aprendendo a lidar melhor com nós mesmos. Uma coisa que indico DEMAIS é terapia. Um profissional especializado poderá te ajudar imensamente a percorrer essa caminhada, mas nada impede que você também passe por isso sozinho. É que como não sabemos direito como lidar com isso a ajuda de quem entende mais do que a gente é de grande valia,

Permita-se sentir e aprenda!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s