Afinal, que caminho me fará feliz?

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Pessoal, hoje o Marcelo, meu parceiro de vida, vai iniciar uma coluna aqui no blog pra contar um pouco da experiência dele nessa mudança de vida também. Confiram:

 

Há alguns dias, durante um dos passeios que fazemos
pela manhã com os cães, conversa vai conversa vem, a Bruna comentou comigo
sobre uma (das centenas? milhares?) página no facebook de alguns amigos que
largaram tudo para ir desbravar o mundo, se descobrirem, enfim, como gostam de
dizer: para viverem. E este é um assunto que há algum tempo me faz refletir. Sempre
tive um fascínio enorme por tudo que é natural, selvagem, detentor da centelha
original, e há alguns anos isso só vem aumentando. Me volto para natureza como
uma criança que ainda não aprendeu a falar se volta para seus pais, tenho um
profundo respeito e admiração por tudo que é livre, selvagem e natural e penso
que seja intrínseco a nós, seres humanos, em algum momento de nossa
intermitente evolução, nos voltarmos para uma vida mais simples e o mais
próxima possível a natureza. Mas não sinto que seja essa a energia que move a
maioria dessas pessoas que abandonam suas vidas cotidianas em busca de
respostas à beira da estrada.

Fato é que em algum momento de nossas vidas vamos nos
questionar acerca de nossas escolhas. Não se escapa disso, pouco importando se
pra você nenhuma delas deram certo ou se você foi muito bem sucedido em todas
elas. O que pode diferir neste ou naquele caso é a intensidade do que se vai
sentir e isso acontece porque somos muito suscetíveis ao que esperam (família,
sociedade, amigos, namorada(o), esposa(o) etc) de nós e o que esperamos de nós
mesmos (cobranças criadas inconscientemente por estímulos – em sua maioria,visuais – a que estamos expostos diariamente e que tem basicamente a função de dizer para
nós o que temos que querer e fazer,
criando uma tensão, uma sensação de desajuste que ao primeiro sinal de
insegurança e insatisfação dá as caras!

Assim aciona-se um mecanismo em nossas mentes que nos
diz que algo está errado, não pode ser assim, não pode ser “só” isso:
nascer, estudar, se formar, casar, ter filhos, morrer! Aí o pai/mãe de família que
trabalhou o dia todo, para pagar o financiamento do carro, a casa própria,
educação dos filhos, saúde, liga a tevê e é bombardeado por comerciais de bens
que nunca poderá ter, estilo de vida que nunca poderá manter e lugares que
possivelmente nunca poderá frequentar, se sente desanimado, frustrado, acessa uma rede
social pra distrair-se um pouco, afinal a internet é uma mídia livre, não? E o
que ele vê? Pessoas e mais pessoas lhe dizendo indiretamente através de
centenas de fotos/videos de belezas naturais e paisagens deslumbrantes e
louvores a natureza e/ou corpos exuberantes ao redor do país e/ou do globo, que
se você não vive assim, você simplesmente existe, não vive!

Penso que isso deve causar uma sensação de impotência
e frustração tão grandes que facilmente poderia explicar porque depressão e
ansiedade são como resfriados atualmente. Não estou a condenar quem escolheu
viver na estrada, fora do sistema, eu acho de uma coragem e beleza fascinantes,
mas é só mais um estilo de vida com seus prós e contras, não se enganem. Assim
como também acho de extrema coragem e de uma beleza fascinante o pai/mãe de
família que erguem e mantém uma família em tempos tão caóticos. Só cada um de nós
sabe o que se passa em nossas cabeças quando a deitamos em nossos travesseiros e
não há “Gopros”, sorrisos e paisagens de pano de fundo para nossas
platéias.

Enfim, se cair na estrada é o que quer, é um chamado
que não se cala, é onde você acha que encontrará felicidade e realização,
ótimo, é um meio de vida como qualquer outro, vá em frente viva seu sonho e
enfrente os prazeres e desprazeres de sua escolha! Se, por outro lado você
sonha em se formar, casar, comprar uma casa, ter um filho e um cachorro, só te
digo uma coisa, vá em frente, viva seu sonho e enfrente os prazeres e desprazeres
da sua escolha! A felicidade e auto-realização não está no outro, não está na
estrada e, por mais incrível que possa parecer, não está naquela cachoeira
paradísiaca com aquele por do sol milimetricamente posicionado na câmera em
meio a tantas poses e sorrisos. Está dentro de cada um de nós, e cabe a nós,
somente a nós, nos instruirmos e deixá-la aflorar!

Por último, para ilustrar, um trecho do livro “O
que realmente importa” de Anderson Cavalcante:

“…Outro dia tive uma lição sobre rotina ao
assistir a uma entrevista na televisão. Ao ser questionada sobre a rotina, uma mulher me surpreendeu
com sua resposta. Ela dizia que amava sua rotina, pois acordava todo dia ao lado
do homem que amava, tomava café da manhã com ele e os filhos, levava as crianças
para a escola e aproveitava o caminho para conversar ainda mais com eles, depois ia
para a empresa, onde trabalhava naquilo que tinha se preparado a vida toda para fazer. Após um dia de trabalho, ela voltava para casa e
curtia ainda mais os filhos e o marido, até que, cansados, iam dormir. E no dia
seguinte começava tudo de novo. “Existe rotina melhor que essa?”, ela disse. “Você
acha que vou reclamar da minha rotina? Eu não!” – Entendeu? Reveja de fato o que você tem feito de sua
vida, como você tem aproveitado os pequenos prazeres que a vida lhe
oferece.”

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