Quais são as nossas necessidades?

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Uma das maiores reclamações das pessoas é a correria do dia a dia. Fazemos tudo às pressas: a comida, os encontros com os amigos, o trabalho, o cuidado com a gente mesmo… E a pergunta é: onde queremos chegar? A resposta eu imagino que seja: “não sabemos”. Não sabemos o que queremos, o que estamos fazendo nem pra onde estamos indo com toda essa loucura.

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Analisando a coisa na perspectiva da hierarquia das necessidades de Maslow, nossa primeira necessidade é a fisiológica: comer, dormir, beber água e afins. Só que nessa correria desenfreada, não tratamos a nossa necessidade mais importante como deveríamos. Comemos qualquer coisa, uma comida pronta, fast food, produtos cheios de agrotóxicos. Não que comer fast food seja errado (eu, particularmente, gosto bastante), mas não é algo que deveria ser feito com certa frequência, mas esporadicamente. Acontece que nós estamos tão cansados de correr atrás de alguma coisa que nem sabemos o que é, que acabamos usando essa insatisfação do cansaço, nos damos uma espécie de recompensa, geralmente relacionada ao consumo. O Alex Castro postou num dos seus textos que compartilhei nos links da última semana um trechinho que diz:

sempre que usamos a frase “eu mereço” é porque estamos prestes a fazer uma merda. pior: normalmente, uma merda relacionada ao consumo.

não dizemos “eu mereço comer uma deliciosa e saudável saladinha orgânica”, e sim “eu mereço tomar um milkshake desta mega corporação que paga mal seus funcionários e faz propagandas que remetem à felicidade e padrões de sucesso”.

Se a base da nossa pirâmide não tem a devida atenção, certamente uma hora ou outra ruirá. E sabemos que toda essa correria se converte em doenças, ou seja, no nosso físico. Então por que não conseguimos fazer nada pra mudar isso? Porque invertemos a nossa pirâmide e a necessidade de auto-realização passou a ser o principal foco. Não a verdadeira auto-realização de se conhecer e de se realizar como PESSOA, mas uma dedicação totalmente direcionada para o profissional, ou melhor, em ganhar dinheiro.

Existem inúmeros fatores que corroboram pra isso:

  • precisamos comer  e precisamos de dinheiro;
  • precisamos de lazer e precisamos de dinheiro;
  • precisamos ter onde morar e precisamos de dinheiro;
  • precisamos de dinheiro pra nascer e pra morrer

Nossa vida virou trabalho. Sempre que uma pessoa se apresenta ela diz: sou fulana, “profissão”; sou beltrana “profissão”; sou ciclana, “profissão”. Nossa profissão virou a nossa vida. Só que esse assunto é tão mais profundo e tem tantos viéses que é possível escrever um livro só sobre isso, mas não é o ponto em que quero chegar. Quero falar sobre as nossas prioridades.

Definir as prioridades que temos na vida é uma escolha pessoal. E sabemos que escolhas tem ônus e bônus e que somos obrigados a arcar com as consequências de cada uma delas. A não ser que consigamos conciliar tudo, aí sim tá tudo lindo e perfeito, mas sabemos que não é assim. Mais um trecho de um texto fantástico do Alex Castro chamado “prisão trabalho“:

Oito horas para trabalhar, oito horas para dormir, oito horas para a sua vida pessoal.

Parece um trato razoável. Faz sentido. Durmo as oito horas necessárias, dou metade das horas acordadas para o trabalho e, com o dinheiro que recebo, faço o que quero da minha vida com a outra metade.

Pena que quase nunca funciona assim, não é

A segunda necessidade mais importante é a de segurança e precisamos de um teto, de certa estabilidade financeira para podermos viver de forma tranquila. Todos temos sonhos (a casa própria, o carro próprio, viajar, comer bem). Mas será que esses sonhos são realmente nossos ou são os sonhos que a nossa sociedade do capital nos incutiu? Será que eu realmente quero viajar x vezes por ano? Será que eu realmente quero ter um carro próprio? São reflexões que precisam ser respondidas individualmente. Cada pessoa sabe das suas necessidades. Mas precisamos analisar se essas são, de fato as NOSSAS necessidades, não as que disseram que a gente tem.

Depois vem a necessidade de interação social, que vem sendo trocada da interação REAL para a virtual. Eu amo a internet! Muito. Todas as possibilidades que ela oferece são incríveis e ela é uma ferramenta sensacional que me permitiu muita coisa legal (inclusive estar escrevendo esse texto), que me aproximou de pessoas maravilhosas. Porém, precisamos usá-la com critério, mas não conseguimos. É tão mais fácil falar com o amigo pelo celular, né? Mandamos um áudio, um vídeo, uma foto e uma mensagem de vez em quando e pronto, mantivemos contato. Porém, humanos que somos. precisamos do toque, do abraço, do olho no olho. E essa interação vem sendo cada vez mais deixada de lado, trocada por outra. Na internet é tudo lindo: não postamos sobre os nossos problemas, sobre as nossas dificuldades… afinal, todo mundo “tá no corre” com os seus problemas pessoais (que sempre são deixados debaixo do tapete), fingindo que tá tudo bem e tá tudo certo, quando na verdade não está. E cada um sabe sobre as mentiras (muitas) que contam pra si mesmo. Eu sei das minhas.

A nossa necessidade de estima vem sendo trocada por “likes”. Postei uma foto legal, tive muitas curtidas, é isso que conta. Só que não, né? Estima é ter com quem contar nas horas que o bicho pega, é ter alguém que esteja disponível pra nos ajudar independente da situação/hora/dia/lugar (pessoas essas cada vez mais raras).

Por fim a nossa auto-realização que se transformou em “mostrar para os outros que sou bem $ucedido$”. Deveríamos parar de querer provar para os outros que somos bem sucedidos e nos tornar REALMENTE bem sucedidos na vida: enfrentar nossas dificuldades, aceitar nossos defeitos, trabalhar neles, aprimorar-se. Pra mim APRIMORAMENTO é sinônimo de ser bem sucedido na vida: se me tornei uma pessoa melhor do que a que eu era há um ano atrás, estou sendo bem sucedida na vida. Sucesso tem que parar de ser atrelado apenas com dinheiro.

Que tal pararmos para analisar como estão sendo saciadas as nossas REAIS necessidades? Reveja a forma como tem vivido desde então. Não está satisfeito? O que pode mudar? Qualquer pequeno passo para transformar sua realidade é melhor do que nenhum. Precisamos parar de culpar as coisas: o outrx, o companheirx, o trabalho e decidir ser protagonista da vida. Pare e pense no que você quer hoje, daqui um mês, daqui um ano. Analise possibilidades e realize as mudanças que tanto deseja. Seja AUTOR da sua história, de verdade.

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8 comentários sobre “Quais são as nossas necessidades?

  1. Carlos Eduardo disse:

    Ótimo texto Bruna!! É impressionante como essa busca pelo auto-conhecimento pode fazer toda diferença. Comecei há pouco tempo mas já vejo melhoras significativas na minha vida.

    Parece que tá todo mundo doido mesmo. Ninguém tem tempo pra nada. Esquecemos nossos valores, as coisas mais importantes. Parece que tá todo mundo dando prioridade para as coisas erradas. Principalmente nesse negócio de ser bem sucedido e ganhar dinheiro.

    Inclusive li sobre isso em outro texto bem legal sobre o assunto:

    http://simplesproposito.com/o-que-e-sucesso/

    É muito bom ver gente falando sobre essas coisas. Continue com o ótimo trabalho Bruna!

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    • Bruna disse:

      Oi Carlos Eduardo! Infelizmente nossos valores e prioridades foram e estão sendo invertidos nessa busca incessante por sucesso financeiro! As pessoas vivem numa correria, não tem tempo de apreciar as coisas, de respeitar o tempo e ser paciente. É tudo pra ontem! Obrigada por partilhar esse link. É exatamente o que eu penso a respeito! Beijão e seja sempre bem vindo!

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  2. Rosana disse:

    Bruna,

    Maravilhoso post!

    Realmente como humanidade nos perdemos tanto no meio do caminho que nem sabemos mais onde queremos chegar…
    Muito interessante a sua visão sobre a inversão da pirâmide de Maslow. E como o Alex Castro disse, o “eu mereço” significa que vem consumo irrefletido e prejudicial à saúde (corporal ou financeira) pela frente.

    “Por fim a nossa auto-realização que se transformou em “mostrar para os outros que sou bem $ucedido$”.”
    Uma pena a ânsia por ostentação ter suplantado o bem estar verdadeiro e intrínseco.

    “Mas será que esses sonhos são realmente nossos ou são os sonhos que a nossa sociedade do capital nos incutiu?”
    Você disse tudo. Por isso é importante sabermos qual é o nosso papel no mundo, qual nossa visão e afinidades, para não nos deixarmos ser engolidos pelo sistema.

    A expressão e o olhar vazio estampados no rosto da maioria das pessoas (ricos ou pobres) por si só demonstram que o caminho do consumo, dos celulares, diversão, futebol, carros, redes sociais, televisão, black friday não trazem felicidade, alegria ou sentimento de realização genuínos e consistentes.

    Abraços,

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    • Bruna disse:

      Oi Rosana! Adorei seu comentário (aliás, adoro quando você comenta, você sempre faz reflexões muito legais alem de partilhar ótimos links! Aproveito pra partilhar com você o que o Carlos Eduardo tambem mandou aqui no comentário: http://simplesproposito.com/o-que-e-sucesso/ e acho que esse o ponto que todos acreditamos… o sucesso precisa ser algo individual, satisfação pessoal e depois e consequentemente o retorno financeiro! Quando dizem que dinheiro não compra felicidade é um fato que concordo plenamente. Posso ter milhões na conta, posso viajar pra qualquer lugar do mundo, mas se não estiver satisfeito com quem eu sou, não terei paz e jamais serei feliz!

      Beijos!

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      • Rosana disse:

        Bruna,

        Gostei do texto do link, obrigada por compartilhar!
        Após uma certa quantidade, o dinheiro não faz muita diferença em relação a felicidade ou não. Mas inicialmente, faz, e muita! Por exemplo: moradia em um lugar seguro e digno pode fazer muito para melhorar nosso estado de espírito e consequentemente nossa satisfação com a vida. Penso assim.

        Abraços!

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      • Bruna disse:

        Ah, isso é um fato! Só precisamos tomar cuidado com quais são as nossas prioridades. Se por exemplo: quero trabalhar mto para conseguir mudar de cidade: ok. Depois que meu objetivo for atingido eu reduzo o ritmo e beleza. Mas o que acontece é que as pessoas cada dia vão desejando ter mais e mais coisas e se perdem no meio do caminho! Se iludem! 😦

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  3. Vitor disse:

    Muito bom seus textos, venho lendo-os há algum tempo, só hoje resolvi comentar rs. Adoro suas reflexões e sua maneira de escrever. Venho (tentando) levar uma vida cada vez mais minimalista e simples, comecei principalmente depois de começar a viajar pelo mundo de forma independente e conhecendo bastante as culturas locais. Tudo sem extravagâncias ou luxos. Acho que no fim minha profissão também ajudou um pouco essa minha nova “vibe”, trabalho no Corpo de Bombeiros e nunca valorizei tanto minha família, meus amigos e minha vida como agora. Sem dúvida o contato com situações que vivencio diariamente também reflete no meu “eu” interior. Confesso que sou abençoado!! =)

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    • Bruna disse:

      Oi Vitor! Obrigada pela visita e seu comentário! fico feliz por gostar do blog e feliz por ver mais pessoas compreendendo que uma vida mais simples, descomplicada e tendo conosco aquilo que realmente importa, faz com que a nossa experiência terrena e torne muito mais intensa e valiosa. Viagens são uma ótima oportunidade para aprendermos a desapegar, não é mesmo? E que legal que a sua profissão te fez enxergar as coisas que realmente importam! 🙂
      Parabéns e boa sorte na sua jornada!

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