Por um natal menos consumista

Pra ser sincera, não sei dizer se em algum momento da nossa vida o natal foi visto como uma celebração que não envolvesse consumo. Aliás, todas as datas que deveriam ser celebradas com as pessoas que a gente gosta e ama se tornaram datas puramente comerciais. Quer dizer, na verdade essas datas (dia das mães, dia dos namorados, dia dos pais, dia das crianças) foram criadas exatamente pra isso: para que consumamos.

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Nunca liguei muito pra natal, embora tenha sido criada em uma família católica e super praticante. Pra mim sempre foi mais um ritual ao qual estava acostumada, mas nunca havia analisado o real significado da coisa. Na verdade achava uma coisa uma pouco falsa: as pessoas brigavam o ano todo e no dia 24 faziam uma espécie de encenação de que estava tudo bem. Sempre me pareceram mais preocupadas em mostrar aos outros que estavam bem do que necessariamente fazer o possível para realmente ficarem bem (e não falo só da minha família, falo no geral). Hoje enxergo o natal de uma forma totalmente diferente, mas não é exatamente o ponto em que quero chegar ao escrever sobre o assunto.

Já que o consumo está inserido fortemente no nosso meio, cabe a nós, que começamos a despertar, que conseguimos compreender que o que realmente importa é aquilo que o dinheiro não é capaz de comprar, começar a “contaminar” as pessoas com essa nova maneira de enxergar as coisas. Vejo essa crise econômica como uma excelente oportunidade de transformação. O mundo pede por isso. Se continuarmos explorando os recursos do planeta de forma inconsequente e inconsciente, muito em breve entraremos num colapso. Precisamos repensar URGENTEMENTE nossa necessidade de consumir. Por que não é só deixar de consumir, mas sempre que o for fazer, realizar isso de uma maneira consciente: consumir de quem produz, verificar se a empresa explora pessoas e animais, comprar nos arredores de onde moramos (assim evitamos a poluição do transporte)… Enfim, são inúmeras questões que permeiam o simples ato de comprar, mas que influenciam de forma muito positiva ou negativa nas nossas vidas.

Sempre achei que o que realmente importa é ser presente na vida das pessoas que a gente gosta. Chega de declaração e foto no facebook uma vez por ano no aniversário da pessoa, se a gente não arruma uma horinha que seja nas 8.760 horas disponíveis em um ano para encontrá-la pessoalmente. Chega de viver nessa correria louca para comprar coisas muitas vezes mais para ostentar do que para satisfazer uma necessidade ou vontade verdadeira nossa.

Nesse natal faça um presente, qualquer que seja ele: um bolo, um porta retratos, um quadro, chame a pessoa pra sair pra jantar/almoçar, cozinhe pra ela, chame-a para fazer uma caminhada, um pic nic, pra conhecer uma cachoeira, pra acampar…  Faça coisas que envolvam o contato entre vocês. Chega de dar um presente só porque a data exige isso. Isso só nos estimula a comprar sem necessidade para encher o bolso das empresas que buscam lucro nesse nosso desespero de preencher nossas vidas com alguma coisa. Nós sabemos que o material pode satisfazer nossas necessidades, mas que esse preenchimento, essa plenitude e essa alegria – que são o que realmente importa –  não se encontram à venda nas lojas. Faça diferente. Comece a revolução de que o mundo precisa. Hoje. Agora.

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5 comentários sobre “Por um natal menos consumista

  1. Rosana disse:

    Bruna,

    Gostei muito do seu texto, me identifiquei demais com as suas palavras! Ontem eu postei um video no meu blog exatamente sobre consumismo, a pretensa supremacia humana e também falei brevemente sobre esse consumo desnecessário e exagerado nessa época.

    Como você disse no ínicio, nunca vimos mesmo essas datas com seus significados reais, mas sempre remetendo à consumismo.

    O mais triste é que isso têm se intensificado cada vez mais e as novas gerações abraçam isso desde pequenas de uma forma muito forte! Isso tudo é muito preocupante.

    O Natal não é isso, e como você disse, a plenitude e a alegria não se encontram à venda nas lojas – para desespero dos lojistas e para nossa sorte!

    Abraços,

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    • Bruna disse:

      Oi Rosana! Obrigada pela visita! 🙂

      é muito triste ver como o capitalismo usurpou de datas com cunho emocional para nos fazer comprar! Vemos mais incentivando e dando aos filhos bens materiais ao invés de carinho, de ensina-los a importancia do respeito à natureza e todas as formas de vida. Os valores estão completamente invertidos! 😦

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