Complexo de inferioridade

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Quem nunca se sentiu mal vendo as conquistas dos outros e a própria vida uma bagunça imensa, sem expectativa de melhoras? Eu já me senti assim por diversas vezes, especialmente na adolescência e na época da faculdade. Acho que faz parte a gente se comparar com os outros, ainda mais nessas épocas das nossas vidas em que estamos moldando a nossa personalidade, em que acreditamos em muitas coisas que depois descobrimos não ser exatamente aquilo que a gente imaginava.

Vou falar de mim: eu sempre, sempre tive esse sério problema em me sentir inferior aos outros. E isso vem lá da minha infância. Venho de família simples, sem muitas condições, mas nunca me faltou nada. Minha mãe teve uma infância muito difícil, pois precisou trabalhar bem novinha para ajudar a pagar as contas da casa da minha avó, já que eram 12 filhos. Ou seja: ela não foi criança, não pode brincar e se divertir. Precisou arcar com uma responsabilidade muito grande e sei que isso marcou muito ela.

Durante praticamente toda a minha infância, moramos numa casa que só tinha um quarto, uma cozinha e um banheiro. Minha mãe e meu pai sempre faziam o melhor que podiam pra mim e pra meu irmão e realmente nunca nos faltou nada. Tinhamos alimento, tínhamos casa, roupas e brinquedos, por isso não tenho nada do que reclamar. Porém, minha mãe sempre nos comparava com minhas outras amigas de escola (uma tinha loja, outra era filha de dono de supermercado…) dizia que eu não era como a fulana ou ciclana, que tinha condições de ter o que quisesse. Só que eu não me importava com isso, nunca me importei. Então, eu acabava me sentindo “menos” do que as minhas amigas por morar numa casa simples, por meu pai trabalhar na roça e minha mãe ser professora. Sentia por que isso foi plantado em mim, foi cultivado aqui dentro. Não culpo minha mãe pois ela fez o que pode apesar de todas as dificuldades e traumas que tinha vivido durante sua infância. Ela apenas estava repassando aquilo que tinha aprendido com a minha avó.

Cresci, milhares e milhares de vezes me comparando com outras pessoas. Sempre fui muito inteligente (aprendia com facilidade, ia bem na escola) tinha muitos amigos queridos, mas ainda assim me sentia menos do que os outros por não ter o que eles tinham ou poderiam ter. Agora, adulta, de vez em quando me pego também me comparando com outras pessoas, pensando no que pode haver de errado comigo, se não sou boa o suficiente. Perdi as contas de quantas coisas deixei de fazer por não me achar capaz e quantas vezes, em meio a pessoas que considerava “importantes” eu não me senti boa o bastante para estar ali.

Só que se tem uma coisa que aprendi depois, de sofrer bastante, é que culpar os outros pelo que me acontece não resolve em nada. Culpar minha mãe não vai mudar a minha vida, não vai  apagar as coisas que já aconteceram. O que eu posso fazer é, hoje, com consciência, agir para mudar essa situação. Mas como? Bom, primeiro é parar de me comparar com os outros. Hoje tenho consciência de que não da pra comparar duas coisas diferentes, duas pessoas que tem histórias e vivências completamente distintas. Gosto mais da palavra “inspirar”. Só que essa inspiração precisa de auto-análise pra que eu possa compreender como posso aplicar essa ideia/inspiração na minha realidade. Copiar simplesmente o que a outra pessoa faz não tem sentido se isso não se encaixa dentro da minha vida.

Todas as vezes que eu foco no outro, deixo de olhar pra mim mesma e ver todas as coisas que eu já conquistei. E isso não tem a ver só com coisas materiais não. Quando eu paro e olho vejo que consegui tanta coisa bacana em tantos sentidos! Gosto muito da ideia de usar o “caderno da gratidão”, como uma maneira de reconhecer as coisas boas que acontecem diariamente nas nossas vidas. Acho que isso ajuda a gente a focar mais nas coisas boas do que nas coisas ruins que nos acontecem. Tem dias que bate uma “bad”, em que me sinto mal, não me sinto capaz ou boa o suficiente. Mas aí quando eu analiso toda a minha trajetória, vejo que fui capaz de realizar muitas coisas legais tanto pra mim quanto em prol dos outros e aí o desanimo e a tristeza passam, e lembro que cada pessoa tem sua própria jornada e caminho. E isso me da mais animo pra mergulhar dentro de mim, de me redescobrir, de perdoar e deixar pra trás as coisas ruins que aconteceram e de assumir total responsabilidade pela minha vida hoje e pelas coisas que estão por vir, afinal, só vou colher aquilo que for plantado hoje.

Sempre que rolar esse “desconforto”, esse sentimento de inferioridade, de se sentir menos, pare e reflita sobre tudo o que você já fez, suas superações, conquistas use essas coisas boas e bons sentimentos para se impulsionar à conquistar tudo aquilo que você seja ter ou ser.

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8 comentários sobre “Complexo de inferioridade

  1. Elder disse:

    Belo texto, Bruna!
    Quem nunca passou por isso, de não ser bom o suficiente, que atire a primeira pedra. E são traumas, crenças que carregamos a vida inteira. Isso nos marca profundamente, esse complexo de inferioridade. Só conseguimos vencê-lo quando, enfim, descobrimos que isso é coisa do ego, quando entendemos que é o ego que quer ser mais, que quer ter mais. Isso se dá quando estamos separados da nossa Essência. Mas quando nos integramos e aceitamos todas essas “negatividades” compreendemos tudo de maneira diferente, enxergamos que tudo aquilo eram meras ilusões, meras criações mentais. Chegamos a dar risadas…rsrsrs. E isso é libertador! Mas, pra isso precisamos aceitar, não culpar, e integrar (experimentar) qualquer sentimento que aflore quando esses pensamentos ocorrem. Ninguém é inferior a ninguém, ninguém é superior a ninguém. Somos Todos Um!
    Beijos!

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  2. Alissssson disse:

    Ei, Bruna, tudo bem com você?

    Agradeço muito por compartilhar esta experiência; me identifiquei muito com seu texto. Eu sinto bastante disto dentro do meu ambiente de convívio, parece que estamos numa avaliação constante, uma espécie de disputa meio irracional, em que só existem dois polos, ‘melhor’ ou ‘pior’, ‘certo’ ou ‘errado’, ‘like’ ou ‘dislike’ … será que não tem um meio termo não? Aliás, há realmente alguma necessidade em se mensurar cada aspecto de nossas vidas?

    Parece que nossa geração tem uma necessidade patológica de autoafirmação, um pilar para sustentar escolhas e esconder frustrações mal toleradas. Não compreendo muito bem toda essa vida de aparências que pregamos por aí, que se espalha de forma virulenta nas redes sociais; qual o problema de errar, de ser cheio de falhas?

    Uma música dos Hermanos sempre me vem a cabeça neste contexto, e faz todo sentido pra mim: “Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar. Eu que já não quero ser um vencedor, levo a vida devagar, pra não faltar amor”!

    Abraços 😉

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    • Bruna disse:

      Oie! Obrigada pela sua visita e pelo seu comentário. Acho que com as redes sociais a aprovação vira uma cobrança, parece que temos sempre que dar satisfação pros outros da nossa competencia e capacidade.
      Não ha nada de errado em errar! Até porque não existe quem acerte 100% das vezes e os erros são nossos grandes mestres!

      Amei esse trecho dessa música que voce mandou! Obrigada por partilhar! Beijão!

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  3. Morena Bertuzzi disse:

    Adorei Bruna. É desse jeito. A gente se pega focando em coisas que acontecem com os outros, sendo que deveríamos focar mais em nós mesmos e em tudo que já nos aconteceu e também em como podemos fazer para melhorarmos dentro do nosso próprio mundo. Muito bom o blog! Estou adorando. Bjs.

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    • Bruna disse:

      Minha querida, que bom te ver por aqui! Obrigada pela visita!

      Realmente é assim… ao invés de nos observarmos focamos nos outros e isso nos distancia cada vez mais de nos aprimorar! Fico feliz mesmo que esteja gostando! Beijão!

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