Reflexões de cá

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Ipê lindo aqui na praça de Congonhal

 

Em alguns períodos da minha vida preciso de uma certa “reclusão”, de amadurecer algumas ideias, analisar a forma como eu venho vivendo, rever alguns conceitos, me permitir abandonar coisas que já não se adequam ao que quero viver/ser e me abrir para novas possibilidades. Esses últimos tempos estão sendo bem assim.

Já tem um bom tempo que ando insatisfeita com o modo como ando muito “relaxada” em certos aspectos. Com esse relaxada, entendam por relapsa, indisciplinada, procrastinadora… Tô muito assim. E sei que se eu quero fazer as coisas, se quero atingir qualquer que seja o objetivo que desejo, sou EU quem precisa agir e fazer as coisas acontecerem. Como sempre fui uma pessoa que, embora bastante proativa e despachada pra fazer as coisas, ainda prefira ficar mais nos “bastidores” e ser guiada pelos outros, cheguei a conclusão de que esse comportamento não me cabe mais.

Ano passado sai do meu emprego formal e desde então a fotografia vem sendo a minha principal fonte de renda. Só que não sei se quero trabalhar com ela em tempo integral, fazer com que ela seja o meu foco. Fotografar eventos nunca foi algo que eu gostei, mas tenho feito alguns ultimamente por causa do dinheiro… Gosto mesmo é de ensaios, onde posso exercitar mais a minha criatividade, criar uma conexão mais profunda com as pessoas que estão sendo retratadas… Então tô nesse dilema de não saber que rumo tomar. Por isso ando mais quieta, desmotivada e por isso acabei deixando esse espaço que gosto tanto de lado.

Cheguei então à conclusão de que eu preciso tomar as rédeas da minha vida, de que preciso confiar mais nas minhas habilidades, no meu potencial… Não sei se vocês já passaram por algo parecido, mas eu sou muito crítica comigo mesma. Questiono demais se tudo o que eu consegui até aqui não foi pura sorte e queria até partilhar com vocês um vídeo da Jout Jout que exprime exatamente como eu me sinto:

 

Depois que vi esse vídeo comecei a pensar que poxa, eu tenho minhas habilidades e talentos e que o fato gostarem da pessoa que eu sou, do que eu faço, das minhas ideias, é porque eu sou sim uma pessoa bacana. Por que então é tão difícil pra gente enxergar as nossas qualidades? Eu tenho muita dificuldade nisso. Acho que é porque eu convivo muito comigo mesma e sei dos muitos defeitos que tenho… Mas ok, quem não tem defeito? E quem não tem qualidade? Preciso entender que ninguém é só defeito e nem só qualidade e que se eu não gosto dos meus defeitos, posso ver neles uma oportunidade de me aprimorar e ser uma pessoa melhor.

Além disso outras questões me fizeram pensar na minha maneira de querer agradar todo mundo, de me preocupar demais com o que pensam de mim, de querer ajudar todas as pessoas e no final me lascar e me prejudicar só pra querer ser uma pessoa “boa” (sendo que na real tô sendo é BOBA)… Esses dias tomei um prejuizão financeiro de uma pessoa que quis ajudar, de muito boa fé. Isso me fez me tocar que preciso aprender a falar mais nãos. Claro, não vou deixar de ajudar as pessoas, mas preciso estipular um limite onde eu não saia prejudicada. Conversando com uma amiga ela me disse algo que me fez pensar muito sobre: “é ego”. Fez mesmo muito sentido o que ela disse. Fiquei matutando muito isso dentro de mim, assimilando e vi que isso tem a ver com querer ser o centro das atenções. Então, tô tentando desapegar de muitas coisas, delegar mais, deixar com que os outros sejam mais independentes de mim. Continuo achando que devemos ajudar sempre que possível, mas até o ponto em que não sejamos prejudicados com tal ajuda.

Depois minha querida amiga Maiara me falou algo que fez muito sentido em se tratando da dureza que eu tenho para comigo mesma: no meu projeto de fotografia feminina, eu tenho como objetivo fazer com que as mulheres se olhem com mais amor e carinho, se aceitem mais. Só que eu mesma sou extremamente dura e crítica comigo mesma. Em todos os sentidos possíveis. Como que eu prego uma coisa e quero essa coisa pros outros sendo que não consigo isso pra mim? Li um trecho num livro esses dias que faz todo sentido. Olha só:

Só faremos felizes os outros na medida em que nós mesmos o formos. A única maneira de amar realmente o próximo é reconciliando-nos com nós mesmos, aceitando-nos e amando-nos serenamente, Não podemos esquecer que o ideal bíblico sinteza-se em amar o próximo como a si mesmo. A medida, portanto, é o si mesmo e, cronologicamente, o eu mesmo vem antes que o próximo. Já é um ideal altíssimo chegar a preocupar-se com o outro tanto quanto consigo mesmo. Então, é por aí que precisamos começar.

Sofrimento e paz (para uma libertação pessoal) de Inácio Larrañaga

Esse livro me encontrou essa semana, justamente nesse eclipse de segunda que propõe deixar coisas pra trás e se renovação. Foi o sinal que eu recebi de que é nesse caminho que devo seguir: de olhar pra eu mesma com mais amor e carinho, de ter mais disciplina, autonomia, confiança, determinação. Deixo pra trás a Bruna com medo, insegura, sem confiança e abro espaço para essa nova Bruna brilhar. Eu determino que assim é e assim será.

Que seja um ciclo novo pra todos nós!

beijos!

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12 comentários sobre “Reflexões de cá

  1. Maju disse:

    Ótima postagem Bruna! Estava há pouco conversando com uma amiga sobre isso. Sentindo falta das suas postagens, rs. Apesar de nunca ter comentado, mas sou frequentadora assídua do blog. Existem momentos que pensamos “vamos fazer o que vai dar mais dinheiro ou talvez agradar mais gente” e fazemos, sabendo que não é aquilo do nosso coração. Analisamos outras pessoas e pensamos, nossa, como essa pessoa é foda! Sendo que temos os mesmos pensamentos dentro da gente e não botamos pra fora. Tem uma música que gosto que diz assim: fazer arte é fácil eu quero ver você se expôr… Como também estou relacionada com arte além do meu trabalho fixo, te digo com propriedade, acredite no que você faz, porque muitas pessoas te observam e te acham interessante também de uma forma que você mesmo não consegue se enxergar, e por mais clichê que seja o ser você mesmo, é nos nossos traços de loucura e nossa personalidade única que somos valorizados e também temos mais motivação fazendo algo que tem significado e dá aquela vibradinha no coração. 🙂

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    • Bruna disse:

      Maju, obrigada pela visita e pelo seu comentário! Fico feliz por saber que gosta do blog!

      Realmente existem momentos como esse. E tipo, a gente precisa do dinheiro, ne? Como fazer então? Realmente, se expor não é fácil. requer muita desconstrução… mas é possível. E venho tentando a duras penas fazer isso. É como voce disse, a gente se menospreza muito, ainda que as pessoas de fora digam que a gente é bom, parece que a gente não acredita e acha que estão falando isso apenas pra nos agradar.
      Não tem nada melhor do que fazer o que nosso coração pede através da intuição. Obrigada mesmo pela mensagem! Beijão!

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  2. Bruna WB disse:

    Se não fosse a sua foto, tenho certeza de que, se eu mandasse esse texto para o meu namorado, ele ia achar que a autora Bruna em questão era euzinha. Guria, quanto dilema em comum! Por partes:
    1) eu ando procrastinando muito na questão “o que fazer da minha vida”, tanto que até tinha me esquecido de atividades que me trazem alegria (era uma tendência a relacionar TUDO com o aspecto profissional – adoro crochê, “então vou vender amigurumi?”; amo desenvolver novas receitas, “então será que crio um blog unicamente para isso?”).
    2) eu sempre preferi ficar nos bastidores. Estou há 3 semanas fazendo um acompanhamento com uma psicóloga (justamente pra tentar resolver essas questões) e na última sessão larguei um “eu gosto muito de trabalhar, mas eu odeio me vender, tanto que prefiro que outra pessoa leve os créditos por mim”, e, se for parar pra pensar, isso é triste demais.
    3) foco tanto no fato de que existem outras pessoas que sabem muito mais do que eu sobre determinada coisa e esqueço de que isso nunca vai excluir o fato de que eu sei muito também, mas parece que eu sou ruinzinha em tudo.
    Blé, acabei usando seus comentários como um desabafo. Mas acho que mais porque, no fundo, ninguém tem tudo bem resolvido, então não devemos ser duras com nós mesmas e aproveitar esse ciclo que estamos vivenciando para fazer as coisas sem pressa, alinhadas aos nossos valores e nossos propósitos, afinal de contas, tudo se resume a como nos sentimos. Eu tenho um pouco de ânsia justamente pelo aspecto financeiro, mas meu namorado costuma dizer que o tempo vai passar independente de eu deixar tudo como está ou de começar a agir em busca do meu ideal, e que só cabe a mim isso.
    Então, Bruna, espero que você encare esse comentário como uma pequena conversa. Uma curiosidade: eu leio o seu blog há tempos e acompanho seu instagram há um bom tempo também, mas acredita que eu não tinha relacionado que você era você? Sou assim louca, hehehe.
    Desejo, de coração, muita coragem na busca dos seus sonhos. Vai dar tudo certo!! 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    • Bruna disse:

      Bna do céu… realmente somos super parecidas. E tenho esse mesmo dilema a respeito da questão financeira! E sobre a questão de “se vender” super me identifiquei! Eu sou igual voce mesmo. Uma amiga falou que vai me vender pros outros pq eu nao faço isso e perco muitas boas oportunidades! Eu tambem olho pro lado e vejo tanta gente foda… Só que eu sei que sou boa tambem, só não consegui enxergar isso direito ainda.
      Imagina, pode comentar e desabafar sempre que desejar. Concordo demais: não ser tão dura, ser mais leve, ter paciencia, Eu tambem to num dilema porque meu dinheiro acabou (literalmente) e preciso tomar uma decisão do que fazer…
      Vc me segue no @virandovegana? Que masa! Fico feliz em saber que ja me acompanhava aqui. Obrigada mesmo pela mensagem e pela partilha. Me ajudaram muito! ❤

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  3. Marcela Coelho disse:

    Bruna, que texto mais sincero e inspirador! Eu precisava tanto ler isso, pois estou na mesma situação e com as mesmas reflexões. Mais uma vez você falou por mim. Se me permite, mais tarde vou colocar aqui nos comentários duas mensagens que salvei e que me fizeram refletir demais e creio que será de grande valia para você e para quem te lê, talvez, assim espero, haha. Muito obrigada por isso, por tudo e desejo de coração que você consiga ser na vida tudo aquilo que deseja ser. Você é incrível! Muito amor e muita luz aí para você. Beijos. ❤

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    • Bruna disse:

      Marcela querida! Bom dia! Fico feliz em saber que essa partilha também te ajudou. É bom saber que não estamos sozinhos nessa jornada…

      Claro que pode postar essas mensagens! Fique a vontade. Quanto mais reflexões boas, melhor pra nós!

      Desejo o mesmo pra você. Pra todos nós. Que possamos, realmente ser aquilo que desejamos ser!

      Beijão!

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